sexta-feira, 1 de maio de 2009

Escrevo-te. Não para dizer que tenho saudades tuas, até porque isso está no nosso leque de conversas proibidas, mas para dizer que te espero. Espero-te. Apenas isso. espero-te bem. Espero-te viva. Espero-te, razoavelmente, feliz. Espero-te. Sentada num banco da expo ou num café com uma cerveja na mão. Espero-te. Espero te a olhar para o amanha ou para o futuro que espero que viremos a ter. espero-te. De cigarro na boca e uma mão no bolso. Espero-te. Com a outra mão de fora para conseguir agarrar a minha.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Deliciosamente apaixonada por ti.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Frase da semana:

"Escrevo, triste, no meu quarto quieto, sozinho como sempre tenho sido, sozinho como sempre serei. E penso se a minha voz, aparentemente tão pouca coisa, não encarna a substância de milhares de vozes, a fome de dizerem-se de milhares de vidas, a paciência de milhões de almas submissas como a minha ao destino quotidiano, ao sonho inútil, à esperança sem vestígios. Nestes momentos meu coração pulsa mais alto por minha consciência dele. Vivo mais porque vivo maior."

Bernardo Soares
"livro do desassossego"

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Hoje é dia das mentiras.
nao me lembrei. claro que nao me lembrei.
mas quando me disseram pensei em telefonar á minha mae a dizer que era heterossexual ou ligar á minha namorada a dizer que queria acabar com ela.
depois lembrei-me: eu já não sou uma mentira?
desliguei o telefone e fiquei quieta.

segunda-feira, 30 de março de 2009

O que se pode querer mais?
quando se tem tudo o que se precisa?

=)
"Do amor não quero mais a aventura,
quero a companhia."

quero a compreensão, a tranquila ternura,
a presença melhor depois que amada,
a que saber ser luz clareando a estrada,
ser aragem na fonte ardente a inquieta;

A que é mulher - mar alto, porto e abrigo -
a que fica á nossa espera,
A que sabe persoar os nossos pecados
nossos marinheiros desejos desgarrados
e não nos mandam embora...

Do amor não quero mais a aventura
quero a companhia:
a que depois do beijo
me dará a mão,
a que sérá minha - à noite se entregará
sem pejo -
e impoluida e pura,
continuará comigo, com a mesma ternura
no coração...

Quero a doce, a permanente companhia...

A que depois da noite,
é o meu dia,
e, com o braço no meu braço
há de acertar o seu passo
na mesma direcção...

"A companhia", JG de Araujo Jorge

Obrigada, Madalena. Obrigada.

sábado, 28 de março de 2009

Às vezes penso no que pode fazer as mulheres felizes. Jóias. Homens (para quem gosta deles). Bom sexo. Um bom restaurante. Um bom copo de vinho. Uma casa na praia. Um vestido da Prada. Uma ida á ópera.
Penso naquilo que me pode fazer feliz. Sexo está no topo, é verdade. Mas fora isso, o que é que me faz vibrar?
Penso nas últimas vezes que fui feliz. É estranho pensar nisso. A felicidade, tantas vezes, parece longínqua. Um lugar obscuro. Um beco sem saída. Um precipício. Uma luz. Uma luz ao fundo do túnel. Andamos uma vida inteira a tentar perceber o que significa a felicidade. Abro um dicionário. Penso que ele me pode ajudar. “felicidade: ventura, bem-estar, contentamento”.
Então é isso. será tão simples quando isso?
O Sporting ganha, eu fico contente, estarei feliz?
Não será a felicidade algo mais complexo?
Não será mais do que uma mala de pele de crocodilo cara? Não será mais do que uns sapatos? Mais do que uma viagem a nova Iorque? Mais do que sexo fantástico ao amanhecer?
Seremos feliz uma vida inteira? Morreremos felizes? Viveremos felizes?
No outro dia disse a minha namorada algo como “fazes me feliz”. Depois corrigi, a medo, e disse “fazes me menos infeliz”. Serei estúpida? Ou terei, apenas, medo de ser feliz? Poderemos ter medo de atingir o estado mais perfeito do ser?
Fugimos a sete pés de um futuro que nos parece promissor. Fugimos. Fugimos com medo que nos dêem a mão e a seguir nos larguem num precipício. Fugimos com medo de estarmos enganados e de, afinal, a felicidade não existir. De não ser mais do que uma palavra no dicionário. Mas se nos perguntarem o que é que nós mais queremos na vida, a primeira coisa que nos passa pela cabeça é “ser feliz”. Mesmo que nunca venhamos a saber o que isso é. Mesmo que nunca lhe consigamos sentir o cheiro.

E tu, és feliz?

terça-feira, 24 de março de 2009

Para recordares.


2009. Ano de campanhas eleitorais. Ano de deboche para a associação académica (como todos os anos). Ano de sonhos e ilusões. Ano da liberdade afectivo-sexual na educação – “Por uma escola sem armários”
Para muitos nada significará. Para 1% da população mundial significa a luta pelos seus direitos e igualdades. Num país, que se diz moderno, numa faculdade que se diz a melhor do país, não deveria ser possível ouvir palavras como nojo, indecência, doença, pecado, quando se fala de homossexuais. Serão as pessoas ignorantes ou, simplesmente, estúpidas?
Quanto aos estúpidos, pouco haverá a fazer. Sentem-se. Bebam mais uma cerveja e esperem. Esperem e rezem, porque deus não se esqueceu de vocês e um dia, ainda vos vem iluminar.
Quanto aos ignorantes, elucido-os dizendo que a homossexualidade existe desde os primórdios da Humanidade, que não é uma escolha e que, desde 1973, deixou de ser considerada pela Associação Americana de Psiquiatria, uma doença mental.
Ironicamente e, apesar de todos os anos, inúmeras associações de defesa dos homossexuais lutarem para que os seus direitos sejam respeitados, que milhares de pessoas marchem pelo mundo inteiro a gritar por igualdade, que sejam feitas campanhas, debates e colóquios, actualmente, em países como a África do Sul, são violados e assassinados, 10 homossexuais por semana.
Terão, vocês, ilustres pensadores de mesa de bar, algo a temer? Ou a estupidez e homofobia são mesmo crónicas?

terça-feira, 17 de março de 2009

Não sabemos o que somos. Somos pedaços da vida. Pedaços da existência. Somos o nada e o pó. Somos o que os nossos pais nunca quiseram que fossemos. Somos o que nunca desejamos ser. Somos algo sem saber bem o quê. Chamam-nos humanos. Chamam-nos pessoas. Chamam-me Joana.
Nomes. Nomes sem sentidos. Palavras incompreendidas e gastas. Tentas compreende-las. Vais ao dicionário. Levantas as mãos á cabeça. Interrogas-te sobre o que te rodeia. Não queres saber. Ou queres. Não sabes, já. Acendes um cigarro. Á procura de uma inspiração. Pensas no que Saramago diz sobre o significado das palavras. Pensas que ele tem razão. Sorris, alguém pensa como tu.
Ouves música. Uma qualquer. Não prestas atençao, mas sabes que toca. Um código civil encontra-se perdido no chão. Tentas agarra-lo. Não consegues. Está longe e faltam-te as forças.
Ergues as mãos e pensas em deus. Em deus. Aquele que tu nunca acreditaste.
E parece que o vês a sorrir.
Frase do dia:
"Saiu para a cozinha. acendeu um fosforo, um fosforo humilde, ela que poderia desfazer o papel com o olhar, reduzi-lo a uma impalpavel poeira, ela que poderia pegar-lhe fogo só com o contacto dos dedos, e era um simples fosforo, o fosforo comun, o fosforo de todos os duas, que fazia arder a carta da morte, essa que só a morte podia destruir. Não ficaram cinzas. A morte voltou para a cama, abraçou-se ao homem e, sem compreender o que lhe estava a suceder, ela que nunca dormia, sentiu que o sono lhe fazia descair suavemente as pálperas. No dia seguinte ninguém morreu."

José Saramago
as intermitências da morte.
Suspiro. As suas mãos percorrem-me lentamente o corpo. Deito a cabeça para trás. Abro a boca, quero sentir os seus lábios carnudos quero sentir a sua língua quente dentro de mim. Percorro com calma todas as arestas do seu corpo. Toco-lhe no cabelo. Com as pontas dos dedos acaricio-lhe o peito. Baixo-me. Sabe a mel. Continuo. Paro. Olho para o lado. Contemplo a cidade. Lembro-me que esta não é a mulher que amo. Que não é a mulher com quem quero passar o resto da minha vida.
Procuro uma cidade no mapa. Paris. Ali está ela.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Something
Frank Sinatra

Something in the way she moves
Attracts me like no other lover
Something in the way that she woos me
Don't want to leave her now
Better believe, and how

Somewhere in her smile she knows
I don't need no other lover
Something in her style that shows me
Don't want to leave her now
Better believe, and how

You're asking me will my love grow
Well, I don't know, no, I don't know
You stick around, Jack, it might show
I don't know, no, I don't know

Something in the way she knows
All I gotta do is just think of her
Something in the things that she shows me
Don't want to leave her now
Better believe, and how

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Puzzle.
Peças caiem no chão do meu quarto. Pétalas de rosas deviam ser. Agarro-as.
Não consigo perceber qual é o seu desenho. Não sei se quero perceber.
Será que tem uma casa á beira mar? será que tem crianças? Será que te tem a ti?
Não sei.
Uma a uma.
Vou montando este puzzle. Contigo. E nunca há-de ter fim.
Continuo em Salamanca.
As minhas acções continuam sem subir.
Continuo sem vontade de estudar.
Continuo sem viver.
Continuo sufocada.
Continuo sem grandes amigos.
Continua o Sporting a perder.
Continuo sem pagar as propinas.
Continuo a ver pornografia no computador.
Continuo a ver filmes.
Continuo…
Resignamo-nos ao destino. Resignamo-nos que é assim que a vida tem de ser e não temos vontade, nem paciência de o contrariar.
Sentamo-nos numa cadeira. Olhamos para o céu. Pedimos uma cerveja. Fumamos um cigarro. O tempo passa. Temos esperança que ele pare. Que não tenha de escolher o que vou jantar. Que não tenha de me levantar porque vai fazer frio.
Desejamos que a nossa vida seja uma fotografia. Um momento parado no tempo. Onde aquelas pessoas, aqueles sentimentos, aquele sitio, aquela brisa, ficará ali para sempre.
Acordamos. Levamos um estalo na cara. Levantamos a cabeça. Passamos a cara por água. Apercebemo-nos que estávamos a sonhar. E resignados, mais uma vez, levantamo-nos e vamos pensar o que vai ser o jantar.
E se isto é viver… é uma merda.
Texto do dia:

“Lá uma vez por outra, perde-se o navegador na imensidão dos oceanos. […] Quase sempre, o navegador aparece. Desviara-se da rota, apanhara um tufão, tivera uma avaria no rádio, sentira, talvez, vontade de cortar definitivamente com o mundo – que sei eu mais. Há um grande e geral suspiro de alívio, tão sincero que ninguém pensa em perguntar, sequer, quem vai pagar as despesas. Nem interessa. De tal maneira nos havíamos identificado com o navegador, que é como se o barco fosse nosso e nossa a aventura.
Este mundo tem coisas. Porque entretanto, e antes, e depois, passam todos os dias ao nosso lado outros navegadores solitários, doentes uns, desafortunados outros, sem casa nem trabalho, sem alegria, sem esperança – e ninguém atravessa a rua para lhes dizer: “estás perdido, amigo? Estás perdido?”

José Saramago, “Desde mundo e do outro”

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

I'm so in love with you.
Estamos apaixonados. Mandamos mensagem a toda a hora. Queremos atenção. Queremos partilha. Queremos beijos ao luar. Queremos mãos dadas no meio da rua. Queremos olhares no restaurante. Queremos amor na praia ao final do dia. Queremos. Queremos tanta e tanta coisa que só faz sentido com aquela pessoa.
Apaixonamo-nos a velocidade da luz. Achamos que é eterno. Que ninguém vai conseguir estragar este sentimento. Pensamos que não sabemos viver sem aquela pessoa. E não sabemos. De facto, não sabemos.
É bom estar apaixonado. É bom pensar naquela pessoa. Quere-la bem e ao pé de nós. é bom sentir um friozinho a barriga á espera das suas mensagens. É bom relê-las vezes e vezes sem conta.
Não sei se isto é paixão ou amor. Mas se é. Fico feliz.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Cansada.
Sinto-me a sufocar.
Apetece-me gritar, mas não tenho voz. Apetece-me chorar. Choro. Agarro-me ás saias da mãe que já não tenho, mas devia. Agarro a minha memória e o cheiro a ventre materno.
Olho para a janela que esta aberta e penso em saltar. Em saltar. Saltar e esperar para ver o que acontece. Ou não esperar, apenas. Apetece-me fugir. Devia fugir de mim. Dos meus pensamentos. Das minhas manias. Dos meus tiques. Das minhas depressões. Das minhas obsessões.
Devia perceber quem sou e encontrar-me no emaranhado de personagens que tenho. Tento escolher uma delas, ao acaso. Vestir-lhe a pele. As vezes, acho que encaixa. Depressa percebo que não. Volto a despi-la. Procuro outra pessoa. Outra personagem, outra pele. Dentro da minha caixa dos sapatos. Estão lá todas escondidas. Ao monte. Tento não as ver. Pensar que elas não existem.
Agarro-me á perspectiva de estar a viver aquilo que sou. Não é outra pessoa. Não é uma das minhas personagens.
Não sei quem sou. Não sei se sou eu, ou o meu vizinho. Não sei se sou eu num dia bom ou mau. Não sei.
Sei que a minha cabana. O meu castelo. O meu mundo, está a cair. Aos poucos e poucos. Uma pedra de cada vez.
Vejo isso acontecer do lado de fora da janela. Tento esticar a mão e agarrar uma pedra. Não consigo. Puxas-me para trás e dizes que não.
E eu não vou.
Acomodo-me ao único pilar que resistiu, percebo que és tu e seguras-me a mão.
Tic-tac.
O tempo vai passando. O tempo não pára. O relógio não pára. Só pára quando lhe deixo de dar corda. Só pára quando o atiro contra a parede.
E ele continua. Sem dó nem piedade. Avança e não me deixa esquecer que mais um dia está a terminar. Como se eu me fosse esquecer, como se a noite não fosse começar a assombrar a minha alma.
Tic-tac.
Tento pensar no que ainda devia fazer hoje. Tento não pensar que vou fracassar. Que não consegui fazer tudo o que tinha planeado, que não consegui ultrapassar as minhas, próprias, metas.
Meto as mãos na cara.
Batem á porta. Levanto-me. Levanto-me dos meus pensamentos e vou ver quem é. uma rapariga, uma qualquer, a querer que eu preencha um inquérito. Contrariada, preencho. Perguntas sem sentido. Respostas sem sentido.
Continua o tempo a passar. Devia jantar. Devia levantar-me e ir viver. Devia telefonar á minha mãe e dizer-lhe para não se preocupar. Que eu estou bem.
Devia descer deste mundo de ilusões e tentar agarrar-me a algo mais real.
Devia, devia. Mas não consigo.
Texto do dia:
“Este nosso mundo não é avaro de emoções. Podemos queixar-nos de tudo, mas não de monotonia. São as guerras, de grande e pequeno formato, são as transplantações e os enfartes cardíacos, são os hippies e o poder da flor, são os movimentos da crosta terrestre e os terramotos sociais, são as campanhas presidenciais e os assassínios dos presidentes ou candidatos, são as drogas e as modos, e os cabelos compridos, e as saias bem-aventuradamente curtas e outra vez longas, e as excursões turísticas, e os atrasos dos comboios, e os computadores que pontualmente preparam a descoberta de qualquer coisa para qualquer dia, e (porque a lista não acabaria) cada um de nós neste mundo a querer saber o que cá se faz, ou pelo contrario, nada interessado em sabe-lo. Tudo isto, de uma maneira ou de outra, nos ocupada. E assim vamos passando o tempo, vagamente inquietos, vagamente perplexos, como actores que de repetente se esqueceram do papel e olham desorientados, á espera da deixa que lhes permita tornar a engrenar no texto. Ė o caso: falta-nos a deixa”

José Saramago, "neste mundo e no outro"
está escuro.
tento acender uma luz e parece que esta fundida. tento procurar algo. uma vela, um fósforo. algo que me de luz. uma luz exterior. que ilumine o meu caminho e que não me faça cair num abismo.
não tenho luz. o isqueiro não aparece e o fósforo esta molhado.
vou as apalpadelas a procura de algo. tento reconhecer os caminhos por onde ando. tento agarrar me a tudo o que aparece a minha frente. toco numa pessoa. tento reconhecer lhe a face e pedir lhe ajuda. ela vira me a cara num gesto de brusquidão
continuo o meu caminho. sozinha. á procura de algo. que não sei o que é . mas que não me deixe cair.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

O Sol chegou a Salamanca. o frio continua. não se pode ter tudo. tento perceber se as pessoas repararam se faz Sol. não consigo compreender. as raparigas usam as mesmas saias sem meias, os rapazes os mesmos casacos. eu também estou igual, apenas com os meus oculus escuros na cara e um pouco mais feliz. é fantástico ver como o estado do tempo pode afectar o estado de espírito das pessoas. ontem, quando sai de casa as 11 da manha e reparei que estava Sol, não pude deixar de sorrir. sorri, mesmo. senti me mais feliz. com mais energia e com menos sono. tive vontade de faltar as aulas e ir passear. de facto, foi o que fiz. faltei á minha ultima aula e fui passear. a parte velha da cidade é sempre convidativa nestas alturas. pus os meus phones nos ouvidos e lá fui eu. cheguei a cidade e decidi ir me fazer sócia da biblioteca. uma biblioteca com 5 pisos, onde se pode alugar filmes e CDS de musica. fiquei lá uma hora, boquiaberta, a olhar para todas as coisas que quero requisitar e vim-me embora. continuei a pé e parei numa mercearia. fui comprar uma pêra e fui caminhando até casa. vivo em Salamanca, mas não me sinto em casa. sinto me uma verdadeira turista. fico a contemplar os mesmos monumentos que já vi 50 vezes com a mesma cara de espanto da primeira vez. gosto desta cidade. gosto da calma que ela, muitas vezes, me consegue transmitir.
ao fim do dia decidi ir ao café. acompanhada, fui até ao Jazz Café. tal como o nome indica, a musica que toca, geralmente, é jazz. nem sempre. ás vezes os grandes clássicos ocupam os 3 pisos do prédio, onde azulejos verdes e encarnados cobrem as paredes. sentei me numa cadeira que tem vista para a rua. a lua já estava no céu e, cheia, fazia-me recordar Lisboa. as noites de Lisboa, quentes, a passear pelo chiado a ver a lua. por momentos os meus pensamentos levaram me para outro lado, outro país, outras pessoas. o cheiro a droga faz-nos perceber o tipo de gente que frequenta aquele café. é barato. é grande. é acolhedor e tem droga. um jovem quererá alguma coisa melhor? não sei. peguei no meu bloco e escrevi-te, Ana, como tantas vezes te tenho escrito nestes momentos de calma e quase felicidade.
eram 11 da noite quando cheguei a casa. cansada. com frio. feliz.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Sentei-me. No computador dava “into the wild”. Não pude deixar de sorrir para dentro e de desejar ficar sozinha naquele quarto, para poder apreciar aquela obra de arte. A banda sonora, o actor, a história. A história. Ė dos poucos filmes que me leva para uma outra dimensão e me faz desejar ter a coragem dele.
Ao longo do filme somos confrontados com os seus pensamentos e estados de espírito. Ė impossível não concordar com o que ele diz sobre a sociedade, sobre o dinheiro e sobre os seus pais que estavam “a viver as suas mentiras em algum lado”.
Temos vontade de pegar nas mochilas e de partir. Queimar todo o dinheiro e partir. Partir para ir sentir a natureza e a felicidade.
Conhecer sítios jamais visitados, conhecer pessoas que nunca pensávamos que pudessem existir, sentir. Sentir o estado mais puro do ser.
ás vezes, tenho vontade de ser como ele. De me indignar e de partir. Pergunto-me porque não o faço e a resposta é simples: falta de coragem. Por mais que eu tenha vontade, muitas vezes, de abandonar tudo, ainda acho que pertenço aqui. Cabe-me a mim mudar as coisas que eu posso não gostar na sociedade, nos meus pais, nas pessoas que me rodeiam e tentar fazer dela um lugar habitável.
Será mais cobarde o que fica porque não tem coragem para ir ou o que vai sem ter coragem para tentar mudar as coisas? Não sei. Talvez sejam dois tipos de coragem diferente e duas pessoas, completamente, diferentes.
Talvez eu concorde com ele quando diz “hapiness is only real when shared”. Talvez ele tenha razão. Talvez.
Um dia pego na mochila e em alguém e vou algures. Depois deixo lá a pessoa e tento ver se a felicidade é, igualmente, real.
Alex Supertramp representa um bocadinho do ser aventureiro e corajoso que há em nós. Resta-nos solta-lo e viver. Viver.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Estou farta da espécie humana feminina. Com o passar do tempo, vou-me apercebendo do que sentem os homens. Sim, eu sou mulher. Mas eu acho que não sou uma mulher como todas as outras. Para começar, tenho mais dois palmos de testa do que a maioria delas e, depois, eu gosto delas. Elas são sensuais (algumas), elas são bonitas (pouquíssimas), elas chamam a minha atenção (raríssimo). Mas isso não importa. O que importa é que estou farta.
Estou farta de mulheres que demoram uma hora para se arranjar na expectativa, coitadas, erróneas de saírem com um aspecto considerado decente aos olhos dos caçadores nocturnos. Que conduzem mal. Que me olham de lado. Que dizem barbaridades e futilidades como “parti uma unha”, que não gostam de política, que são feias e tem narizes estranhos, que tem bigode, que cheiram mal, que não se interessam. Que não se interessam. Gaita. Que não se interessam. Isto podia ser um texto dirigido a maioria da população mundial, interrogam-se porque o dirijo as mulheres, (se não se interrogaram ate agora, podem começar a faze-lo. Aconselho-vos a voltar atrás, a ler o texto de novo e tentar arranjar alguma lógica para o meu raciocínio), mas a resposta é simples. Eu gosto de mulheres. Por mais que elas me desiludam e sejam umas cabras. Por mais que sejam porcas e achem normal beijarem quatro rapazes numa noite e fazer sexo com eles “só porque me vou embora e gostava” (o mundo esta perdido), elas tem qualquer coisa que me da friozinho na barrinha e me faz querer mais, muito mais. O problema é que o friozinho que elas me criam, não e assim tão bom, para não deixar de suspirar cada vez que elas abrem a boca.
A mulher do século XVII não podia ser dotada de inteligência, porque não estudava. Tinha bigode, porque era normal. Cheirava mal, porque era normal. Mas tinha decência. Coisa que falta a grande maioria das mulheres hoje em dia. Com saias a mostrar tudo o que tem, pavoneiam-se pelas ruas, na esperança, de irem acompanhadas para casa. Bebem, dançam de forma espalhafatosa, gritam e caiem. Como se fossem uma montanha russa.
As mulheres são uma decepção. Lamentavelmente, são poucas que ainda se aproveitam. A minha questão é: alguma vez este ciclo vai ter fim? Ou será a mulher decente um produto da minha imaginação?

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

estou de mau humor.
estou de mau humor.
tento-me mentalizar disso e tentar arranjar uma solução. não encontro. perguntam-me porquê. não sei bem. posso arranjar dois ou três motivos plausíveis, mas tudo o resto, o grosso da questão, só tem uma resposta: mau humor crónico.
acordas assim. não sabes porque, mas não consegues mudar. não ajuda ver pessoas, nem falar. não ajuda um almoço nem um passeio. nada ajuda.
tranco-me no quarto e espero que passe. vejo vídeos no computador e tento-me animar. pensar que não há motivo.
não há, não há. grito para mim mesma. não consigo. tenho vontade de chorar.
as horas passam. o dia anoitece e eu continuo trancada no meu quarto.
dói-me a cabeça. falta-me paciência para lutar contra a maré.
um cartão vem a caminho pelo correio. talvez me anime, talvez não.
vou desligar isto e dormir. tomar algo. esperar que o amanhã venha mais rápido.
esperar, esperar.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Don't go.

as vezes estamos tristes. não sabemos porquê, mas não conseguimos deixar de nos sentir assim. choramos e choramos. pedem-nos justificações. não sabemos. choramos porque achamos que é a única forma de expressar tudo o que temos dentro de nós. tudo o que sentimos. tudo o que nos leva ao desespero e ao limite. choramos até nos faltar o ar e ate ser de manha. pronunciamos palavras sem sentido. procuramos abraçar o infinito.
dizem que chorar faz bem, que limpa a alma.
a mim, para alem disso, da me uma grande dor de cabeça.
não tenho vergonha de admitir que choro, embora não goste de chorar á frente de muita gente. não somos mais fracos. não somos mais medricas. apenas, somos mais humanos.
queremos pedir ajuda mas não sabemos como. queremos gritar mas não temos voz.
choramos porque nos sentimos sozinhos. choramos porque temos medo. choramos porque nos magoamos. choramos porque nos estamos a rir em demasia. são varias as coisas que nos fazem chorar, sendo que, muitas delas são absurdas aos olhos dos outros. Incompreendidos, choramos. não importa.
choramos porque temos de chorar. não há outra maneira, muitas vezes. não chores por achares que choras de mais.
chora, até te aparecer a voz, depois grita!

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

fui comer crepes ao quarto da francesa.
hoje, dia 2 de Fevereiro, na França é o dia dos crepes. ela lã me deu uma explicação qualquer (católica, por sinal) sobre o significado deste dia. já não me consigo recordar qual foi, mas tinha o seu interesse.
não pude deixar de achar curioso como há culturas tão diferentes da nossa, mesmo dentro da UE. quando estamos fora é que temos a percepção disso. que existem povos melhor que o nosso. que existe vida lá fora. que há pessoas diferentes de nos. que há hábitos diferentes dos nossos. muitas vezes não são melhores, nem piores, são apenas diferentes.
Erasmus ensina isso. Ensina-nos a viver com pessoas que provêem de outros países. ensina-nos a falar uma língua diferente, aprender uma culta diferente. ensina-nos a respeitar a diferença.
e uma experiencia que eu aconselho todas as pessoas a fazer. cada erasmo vem com um motivo diferente: porque estão fartos do pais, porque querem aprender uma língua nova, porque querem beber coisas diferentes.
não importa o motivo, não importa se é estúpido e se para a maioria das pessoas não faz sentido. façam as malas e venham.
deslumbrem-se por cidades inconquistadas. deslumbrem-se por pessoas diferentes de nós. deslumbrem-se. o mundo serve para isso mesmo. e sim, deslumbra-me.
ouço alguem a falar. fala rapido e alto. fala sobre algo que nao me interessa. finjo que presto atenção. mando uma ou outra piada, como se tivesse dentro da conversa. enconsto-me para tras, meto a mao no rosto e olho para a rua. o tempo continua a passar. ela continua a falar e eu a fingir que me interesso e que estou preocupada.
nao estou.
enerva-me a falta de percepção das pessoas para perceberem que eu me estou a cagar. que eu, maioritariamente, me estou a cagar para a grande maioria das coisas que me dizem. sorriu. abano com a cabeça e digo algo que pareça interessante. a meio da convesa desligo e começo a pensar no que podia estar a fazer em vez de ali estar
enjoa-me nao conseguir por fim aquela conversa que tanta raiva me esta a causar. .continuo a sorrir e a tentar ser simpatica. a pessoa continua a falar. começo a ficar erritada e a ser desagradavel. estou farta de pessoas e dos seus temas mediocres.
estou farta de pessoas que nao sabem ser interessantes. cujos mundos se reduzem a futilidades e a frases feitas. enerva-me a mediocridade do ser!
suspiro. continuo a olhar para a janela. vou me levantar. ja me fartei de tentar ser simpatica, arranco brutalmente a mascara que tinha posta desde o inicio da conversa. transformo-me em algo que nao reconheço, mas que me da uma boa sensação de liberdade.
caminho. nao vou olhar para tras. bato com a porta.

tomo comprimidos para dormir. tenho insónias constantes.
não sei se é por ser uma pessoa nervosa ou se é por não encontrar paz na minha alma. a minha cabeça anda a mil. dói-me o corpo e as pernas. levanto-me e passo a cara por agua. parece que vejo pessoas a andar a minha volta. frases perdidas no espaço. momentos passados. abro a janela, penso que me vai ajudar a dormir. esta frio, torno a fecha-la.
tento ser racional e pensar que esta tudo bem. que não há nenhum bicho debaixo da cama. que amanha o dia vai ser bom. que nada de mal há para acontecer. que a vida me corre bem. torno a levantar-me. olho para o telemóvel e já são 4 da manha. penso que devia levantar-me e começar a arranjar-me para ir para a faculdade. não consigo. estou demasiado cansada. deito-me, novamente, a olhar para o tecto.
tento perceber o que se passa comigo. tenho suores frios. olho para o telemóvel. mensagens antigas e sem sentido fazem me ter vontade de o atirar para a parede. escrevo uma mensagem, mando ao acaso, na esperança que alguém me resposta. ninguém responde. passa uma e outra hora. continuo sem conseguir dormir e não paro de pensar. só penso. penso. penso que amanha não vou chegar as aulas a tempo porque não estou a dormir. penso que amanha não vou estudar porque vou ter sono. penso que amanha a minha mãe vai ralhar comigo porque tenho olheiras. não paro de pensar. digo meia dúzia de palavrões. enervo-me. enrolo-me nos lençóis.
e desisto.
pego em dois xanax e meto-os na boca.
claro que não me consegui levantar para ir as aulas. claro que estou com sono e não vou estudar o suficiente. claro que tenho olheiras e a minha mãe grunhiu qualquer coisa. afinal tinha razão.
o curioso é que somos nos, a grande maioria das vezes, que criamos os próprios resultados que tanto tínhamos medo que se produzissem. é estúpido e irracional. mas é humano. e gaita, por mais que tente ser um deus e achar que vocês, meros seres mortais, são inferiores, a verdade, é que não passo de um ser humano como outro qualquer.
que tem medo de não ter asas. que tem medo de cair sempre que tenta voar. que tem insónias. que chora.

“Óscar escrito na testa”.

Decidi ir ao cinema ver o “Estranho caso de Benjamin Button”. A companhia não podia ser melhor e as criticas que tinha lido sobre o filme davam-me uma estranha sensação de entusiasmo. (sempre gostei de ir ao cinema. Gosto de ver as pessoas sentadas de forma direita a olhar para um grande ecrã. Gosto de conseguir ver os detalhes todos do filme. Gosto de comer pipocas. Gosto de atirar com as pipocas. Gosto de falar com a pessoa que está ao meu lado. Gosto de por pés em cima da cadeira da frente. gosto de ficar a ouvir a musica no final do filme. Gosto de tecer comentários ao filme e de sair, regra geral, mais bem humorada do que entrei).

Como todos vocês sabem o filme retrata a história de um bebe que nasce velho e, a medida que o tempo avança, vai ficando cada vez mais novo. Um filme curioso, mas inteligentemente bem pensado. Quando ouvi, pela primeira vez, a justificação do David Fincher para a realização do filme, não pude deixar de esboçar um sorriso. De facto, quando somos jovens, novos e ingénuos, não conseguimos ter a verdadeira percepção das coisas. Depois, quando envelhecemos, já não as conseguimos viver de forma conveniente. Ou porque o nosso aspecto já não o permite, ou porque a vida já nos ensinou demasiadas coisas. Não seriamos todos muito mais felizes, com aspecto de 20 anos aos 40? Ou aos 40 anos, com uma mentalidade de 20? Não sei. Principalmente porque não sei qual vai ser o meu estado mental nesta altura.

A verdade é que todo o filme esta em sintonia. A banda sonora, a caracterização genial. Um Brad Pitt melhor do que nunca. Uma Cate Blanchet que me tira do serio e uma historia de tirar o sono a qualquer um. Chegamos a conclusão, espera-se, que a pessoa que nos ama, estará sempre connosco. Quando somos novos e quando somos velhos. Quando somos bonitos e quando somos feios. Será a pessoa que nos apoiará sempre. Que nos amará incondicionalmente.

Acima de tudo, este filme é sobre o amor.

A forma como se faz política em Portugal choca-me.

A verdade e que sempre me chocou. Mas agora começa a fazer-me sérios comichões. Cheguei a casa. Liguei a televisão na TVI (erro crasso, para começar) e reparei, com grande espanto (bem, talvez não tenha sido assim tão grande como eu estou a dizer. Mas eu gosto de exagerar e dar ênfase as coisas. Perdoem-me), que a Manuela Moura Guedes (pior jornalista que eu conheço) estava a entrevistar o tio do nosso Primeiro-ministro. Ao inicio ainda fiquei de pé e com a boca entreaberta, sem conseguir pronunciar alguma coisa. Não me saiu “merda”, não me saiu “gaita”, não me saiu nada. Fui buscar um balde de pipocas (quer dizer, não fui. Mas acho que fica bem dizer que sim) e sentei-me no sofá ao lado do meu pai que dormitava. Pus a televisão um pouco mais alta (não gosto de perder pitada destes programas de culto) e, quase tive um enfarte, quando ouço a senhora jornalista a perguntar “o senhor tem algum tipo de doença de foro psicológico?” (perceba-se que a pergunta não foi bem esta. Ela não usou bem estas palavras, mas já não me lembro quais foram. O que ela queria perguntar era “o senhor tem problemas mentais?”). nessa altura dei uma gargalhada (que acordou o meu pai) e fiquei atenta a ouvir a resposta do senhor. “sim, tenho um problema mental. A minha mãe também já tinha. Ė genético”. Não pude deixar de achar piada a resposta (não sei se achei piada a resposta em si. Ou á estupidez do senhor. A verdade é que a sinceridade das pessoas sempre foi uma coisa que me deixou muito sensibilizada. Mas a sinceridade com uma pitada de estupidez deixa-me extasiada). Mas desta resposta (humilde e sincera) retira-se uma conclusão muito importante: que a probabilidade de Sócrates ter um problema mental (o que todos nós já desconfiávamos) é maior do que se esperava.

Eu nunca gostei de ir ao circo. Eu sou uma pessoa com pouco sentido de humor. Não gosto de leões. Não gosto de palhaços (pelo menos, não me agrada pagar para os ver), acho a magia uma coisa estranha e que me assusta. A verdade é que me alegra saber que, finalmente, decidiram levar o circo as pessoas. A prova disso é que todas as sextas feiras, Manuela Moura Guedes, dá-nos meia hora de pura diarreia mental.

Levantei-me do sofá depois de ouvir esta parte da entrevista. Não consegui ouvir o resto porque estava a ficar com vontade de vomitar.

O jornalismo em Portugal e a política, afinal, não me dão só comichão. Também me dão vómitos. Será que estou a ficar mais sensível? Ou as coisas têm mesmo piorado nos últimos tempos?

Estive em Portugal.

Ė bom chegar a estação e ter ente queridos a nossa espera. é bom beber um capuchinho sentada na fnac. é bom almoçar com aqueles que nos fazem mais falta. é bom estar em casa. quando estamos longe e regressamos é que sentimos como é agradável o cheiro a roupa lavada, como sabe bem um beijo dos que mais amamos. como tudo tem um sabor diferente.
sim, gostei de estar em casa.
posso não ter aproveitado o suficiente. posso ter discutido com os meus pais. posso ter batido com o carro e ter chorado durante uma noite inteira, mas não deixei de viver e de crescer. gaita são mesmo estas coisas que nos fazem desenvolver e querer mais.

e sim, é estranho regressar.

É estranho ver o comboio a avançar e as coisas a ficarem para trás. ficar para trás a nossa casa, os nossos pais, os nossos amigos, aqueles que gostávamos que fossem mais do que amigos. tudo. sentimos que a nossa vida ficou toda para trás e que nós, apenas com a nossa sombra continuamos esta viagem.
António variações dizia: "só estou bem onde não estou". algumas vezes achei que ele tinha razão, outras vezes achei que não. agora, enquanto escrevo isto e olho para a neve a cair lá fora, não posso deixar de discordar dele. eu estou bem aqui. estou muito bem, só tenho pena que tu não estejas cá. só tenho pena que não vejas esta cidade comigo e que não possas partilhar esta (quase) felicidade a meu lado.
acho que é disso que eu sinto mais falta. dos abraços, dos beijos e dos sorrisos cúmplices. sinto falta do chiado e das pessoas estranhas a passar. sinto falta do bairro alto. sinto falta das politicas medíocres. sinto falta de pagar 2 euros por um café no chapitô. sinto falta de ir ao cinema todas as semanas. de fazer omeletas com o bruno. de queimar pipocas e fazer arder o fogão. sinto falta de ver a lua sentada na varanda a fumar. sinto falta de tudo. dos cheiros. dos sabores. E por mais que goste de estar aqui e que me sinta a crescer, dia após dias, não consigo deixar de sentir falta do que era habitual para mim. do que era "sentir-me em casa"
a única coisa que me dá alguma paz de espírito é saber que vocês estão ai á minha espera. que não vão a lado nenhum, pelo menos sem mim. Ė a certeza de saber sempre onde vos encontrar. seja aqui em Salamanca numa rua perdida, seja ai, onde tantas vezes nos cruzamos.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

A Sofia dizia. Apesar de todas as decepções o que as pessoas querem é o caril. Naquela altura, não acreditei nas suas palavras. Achei que muito mais do que o caril, o que as pessoas querem é um porto seguro. Um lugar para ficarem e se sentirem felizes.

Agora, concordo com a Sofia. Acho que, no final, o que nós queremos é algo que nos faça vibrar e aquecer. Não queremos promessas de amor eterno. Não queremos jantares a luz das velas. Não queremos ouvir o amo-te a cada 5 segundo. O que nos queremos é sexo nas escadas, frases promíscuas ao ouvido e um bom copo de vinha. O que nos queremos, não é algo que nos de segurança e (in)felicidade. O que nos queremos é algo que nos faça desejar mais e mais. Algo que nos faça vibrar. Algo que nos faça chegar ao extremo do ser. O que nos queremos são paixões vibrantes e fugazes. São momentos passados pelos nossos dedos. São cabelos arrancados que ficam no chão.

estou a mentir. Eu não quero nada disso e não acho que alguém queira. Acho que queremos sempre ser amados e amar. Gostamos de nos imaginar casados e com filhos. Gostamos de nos sentir seguros e amados. A verdade é que dura muito menos tempo e nos magoa mais.

Não será a relação perfeita a que consegue ter os dois lados da moeda? Eu estou disponível

ás vezes penso como serei quando tiver 50 anos. a crise dos 50. "a" crise.
interrogo-me se vou estar casada e com filhos. interrogo-me se estarei em Portugal ou no estrangeiro. interrogo-me, se serei feliz.
há momentos em que penso o que é a felicidade. como se alcança e, mais importante do que isso, como saber se é felicidade. ultimamente, passo metade dos meus dias a pensar sobre o assunto. sento-me no chão, contemplo o infinito e tento arranjar resposta para os meus dilemas. gosto de os debater com uma ou outra pessoa. pessoas essas que, regra geral, são mais dotadas de sabedoria do que eu. gosto de me masturbar intelectualmente. mas, mais do que isso, gosto que me masturbem intelectualmente. não sei porque uso esta expressão tão frequentemente. não a acho bonita, mas acho-a prática. não que isso seja relevante para aquilo que eu estou a tentar dizer.
a felicidade existe? seremos nós felizes ou infelizes? tenho 20. não acredito que a felicidade exista, apesar de ser fácil refutar isso dizendo, como me disse a Ana, que tem de existir felicidade, se não, não saberia que existiria infelicidade. ela tem razão, sim. acho que é muito mais fácil acreditarmos que somos felizes. que já tivemos 5 minutos de felicidade e, que a nossa vida vai sempre ter a felicidade como o fim a alcançar.
infelizmente, acho que o que tenho são 10 minutos menos infelizes do que todos os outros. são instantes fugazes, que me passam pelos dedos. são suspiros. são sorrisos. são paixões. são coxas nas nossas mãos. é sexo nas escadas. são momentos.
momentos que eu nunca hei-de esquecer, mas que não devo tornar a repetir.
mia couto dizia que a felicidade era um relâmpago fora da tempestade. a infelicidade, aquela que esta sempre á nossa volta, que é palpável e que é sentida pela grande maioria de nós, seria tempestade. a completa e total tempestade.
Tento explicar á minha prima que eu é que sou complicada. que não é vida. tento iludi-la que ela um dia vai ser feliz, muito feliz. e que a infelicidade, afinal, para ela, não passara de uma miragem.
quando somos crianças enchem-nos de sonhos e do "viveram felizes para sempre". quando acordamos e vivemos no mundo real, percebemos que fomos enganados e que não há finais felizes neste mundo injusto.
no máximo haverá e, eu acredito que sim, finais menos infelizes.

estava para ir a casa.
telefonei a minha mãe, entusiasmada, dizendo que ia apanhar o comboio das 5 da manha. o comboio, o autocarro, o táxi, uma boleia. o que houvesse. o que eu queria mesmo era ir para casa. queria ver os meus amigos, queria passear pelo chiado, queria ir cheirar o mofo, queria estar a lareira, queria abraçar a minha mãe e a minha família
passam-me rápido estes momentos. faz se uma ou outra chamada e percebe-se que, nem sempre, os sentimentos são recíprocos.
se há coisa que eu ainda não percebi é porque e que as pessoas tem filhos.
será que ter filhos é uma obrigação? será que pensam que é algo que os deixa mais completos e realizados como pessoas? não sei.
o que os pais ainda não perceberam que precisamos deles, mais, do que para nos pagarem as contas e ter os seus nomes inscritos no B.I. serão pais aqueles que nos “fazem” ? Ou serão aqueles que nos amam e nos tratam como tal?
um dia, se tiver um filho, vou tentar lembrar-me do sentimento que tenho hoje e esperar que ele nunca o sinta.
... apenas isto.

Inquietação
Inquietação
Inquietação

eu sou uma pessoa inquietada. a minha mãe esta sempre a dize-lo e os meus amigos também. dizem que eu penso demasiado. dizem que me preocupo demasiado e que vivo pouco. interrogo-me se vivo pouco por ser isso tudo, ou se vivo pouco, porque a vida não me da tesão para viver. pois bem. sou uma pessoa inquietada. não tenho qualquer tipo de problema em admiti-lo. acho que teria mais problema em admitir que não me inquieto com nada do que se passa a minha volta.
gosto de ficar noites sem dormir. gosto de ter um bloco sempre comigo. gosto de fumar droga a janela. gosto de pensar. gosto de ler o jornal e de ter vontade de o atirar contra a parede. gosto de berrar com as pessoas e dizer para elas se revoltarem.
sim, sou uma pessoa inquietada.
inquietam-me varias coisas. as vezes também me inquieta o facto de o meu cabelo não estar direito ou de ter uma borbulha no nariz. sim, isso também me inquieta. e, nessas situações, a minha estupidez, também, me deixa inquietada.
inquieta-me o nosso Primeiro Ministro querer construir o TGV, inquieta-me a politica em Portugal e a economia no mundo inteiro.
inquieta-me a grande maioria das pessoas não ser inquietada. inquieta-me tu não te levantares porque tens medo e és cobarde. inquieta-me a forma como o mundo esta a ser conduzido e como olhamos, impávidos, como meros espectadores, a isso.
sim, sou uma pessoa inquietada. não sei se era mais feliz de outra maneira. mas também acho que não sei viver de outra maneira.
todos os dias de manha quando olho para a parede do meu quarto e vejo estas três palavras, sorriu. gosto de acreditar que as compreendo e que lhes dou significado.
quanto a vocês, que não se inquietam e acham que a vida e bela, apenas posso dizer que estão enganados. estão tão enganados que quando se aperceberem disso não vai haver inquietação que vos salve.
no final disto de escrever isto, sei que vou ficar inquietada. é como se a inquietação fosse um estado de espírito. de facto, também há pessoas que são simpáticas. Eu não.

Decidi comprar acções na bolsa. Sempre me entusiasmou o facto de saber que há pessoas que fazem lá as suas grandes fortunas. Sempre li que em tempo de crise e que se deve comprar acções na bolsa. Pois bem, as minhas acções não param de descer. Interrogo-me de como se sentiram os grandes investidores e, interrogo-me, se não será mais rentável comprar uma prostituta e dedicar-me a ser chulo. Ou chula, neste caso. Os ganhos eram garantidos e, a probabilidade de a crise afectar este sector é muito reduzida. Pelo contrário. a conclusão que eu chego, como simples observadora, e que em tempo de crise este sector dispara em flecha, porque os homens estão demasiado cansados e frustrados para terem de aturar as mulheres ou, para lhes darem prazer
De facto, os homens são uns seres estranhos. Ao mesmo tempo que querem ser os garanhões da espécie humana, acobardam-se e usam prostitutas.
Enquanto não ganhar coragem para ir a uma, vou investindo na bolsa. Quando tiver falida, algo me diz, que a prostituta vou ser eu! A minha questão é: não seremos todos prostitutas durante a vida?!

domingo, 25 de janeiro de 2009

Esta semana ouvi com atençao o que o nosso primeiro ministro disse sobre os casamentos entre pessoas do mesmo sexo. como homossexual, não pude deixar de esboçar um sorriso. nao sei se sorri pela estupidez do Senhor ou pela estupidez da grande maioria dos homossexuais. bem, talvez nao devesse ter sorrido e devia ter chorado por estas duas situações. mas não, digamos que sorri.
numa coisa o Srº Primeiro Ministro tem razão, a discriminação entre pessoas do mesmo sexo não honra nenhuma sociedade moderna. o que Jose Socrates se esqueceu de dizer foi que não sabe se para o ano vai ter maioria absoluta no Parlamento (o que vai ser uma gaita) e, pior, esqueceu-se de dizer que está a prometer legislar e debater sobre um assunto que, há menos de dois meses disse que nao era uma questão fundamental para o pais.
talvez devesse ter vindo como pé de pagina, o facto de Socrates estar com o rabo apertado e estar a ver as legislativas a irem por um canudo.
Bem, mas com uma coisa ele pode contar, o povo tem memoria curta!
Mia Couto tinha razão (e eu tambem):

"A felicidade é um instante, um relâmpago fora da tempestade. Quem dá a chávena não dá a colher. E quando nos dão a luz, lá vem junto o túnel"

Beijo o teu pescoço. Perco me nesse corpo que um dia foi só meu. Dispo-me de pudores e amo-te como sei que nunca vou ser capaz de amar ninguém.

Amar, amar.

Sinto que estou a cometer um crime. Que não te posso tocar, que não te posso beijar, que não te posso ter.

Sinto que não sou quem quero ser. Tento mudar. Visto a mascara, um dia mais. Só mais um dia, repito baixinho como se me tentasse convencer.

Levanto me da cama, a custo. Dou te um beijo tremulo na cara e saiu a correr. Não decoro o número da porta, deito o telemóvel para o rio, olho para o sol que acabou de nascer, contemplo-o. Sinto uma lágrima a escorrer pela cara.

Amar, amar.

Precisa-se Zapatero português

Este ano, na noite da passagem de ano, num dos 12 desejos, pedi um Zapatero para Portugal. Já tinha escrito uma carta ao menino Jesus no Natal com o mesmo pedido, mas tendo em conta as ultimas afirmações do Papa Bento XVI sobre os Homossexuais é fácil perceber porque é que o meu desejo não foi concedido. Não, não quero a sua forma estranha de vestir, o que eu quero é a sua coragem. Coragem que o fez aprovar, a 4 de Julho de 2005, em Espanha, “contra ninguém, mas a favor de todos”, o casamento entre pessoas do mesmo sexo e que admite o direito á adopção.

O que falta em Portugal é um Primeiro-ministro que acha que os direitos e igualdade entre as pessoas são uma prioridade. Para José Sócrates o que é importante é a construção do TGV e do novo Aeroporto. Os direitos e igualdades entre as pessoas são meras insignificâncias para o nosso Primeiro-ministro.

Entristece-me ser gay em Portugal. Entristecem-me as Paradas Gays (que mais parecem desfiles do que manifestações de defesa de direitos e igualdades), as Associações de Defesa dos Homossexuais (quase) inexistentes, os políticos que dizem que o casamento tem como fim a procriação (sim, Dr.ª Manuela Ferreira Leite, estou-me a referir a si), os estereótipos e os preconceitos.

Entristece-me, ainda, haver pessoas que acham que a homossexualidade é uma doença, quando deixou de ser considerada como tal em 1973, pela Associação Americana de Psiquiatria, haver crianças que são humilhadas e discriminadas na escola por terem pais do mesmo sexo, haver pessoas a quem é recusado um emprego por serem homossexuais mas, o que me revolta mais, é as pessoas resignarem-se a isso. Num país onde o conformismo é a palavra de ordem e as injustiças passam ao lado da grande maioria dos Portugueses, um grupo que, já, representa 10% da população mundial luta, diariamente, ainda, em muitos países da Europa, pelos seus direitos na sociedade.

A Homossexualidade não é uma doença. A Homossexualidade não é um estado de espírito. A Homossexualidade não está na moda.

(In)Diferente

Pediram-me para escrever sobre mim. Nestas alturas, lembramo-nos sempre de começar pelo nosso nome e idade. Tentamos escrever sobre os nossos medos e sonhos. Tentamos fazer uma reconstrução do nosso passado e das coisas que mais nos marcaram. A mim, pediram-me para escrever sobre a minha sexualidade.

Sou a Joana, tenho 20 anos, estudo Direito e sou homossexual. Seria uma forma estranha de começar uma conversa num país como Portugal. No entanto, a vida ensinou-me que quem gosta de mim, gosta de mim como sou. Não acho que seja especial, não acho que o facto de gostar de pessoas do mesmo sexo que eu, faça de mim uma pessoa diferente. Será diferente a pessoa negra de cabelo loiro? Será diferente a rapariga baixa num país só de gente alta? Que mundo é este que permite tamanha injustiça?!

Quando tinha 15 anos e descobri que era gay, ou pus pela primeira vez essa hipótese, não pensava desta maneira. Gosto de pensar que evolui, há quem diga que se chama crescer. Se crescer implica duas tentativas de suicido e uma saída de casa aos 16 anos, eu assumo que crescer é uma merda e dói.

Dói sentirmo-nos olhados de lado. Dói sentirmo-nos diferentes. Sentimo-nos diferentes, só, por gostarmos de pessoas iguais a nós. Choramos porque achamos que a sociedade é injusta e não está preparada para nos receber. Tentamos gritar a plenos pulmões que não é a nossa sexualidade que nos define. (Eu farto-me de gritar, mas já me dói a garganta.)

É revoltante sermos tratados de maneira diferente pelos nossos pais, amigos, pela sociedade em geral. Achamos que somos os únicos a gostar de pessoas do mesmo sexo. Houve alturas que tinha nojo de mim, que achava que era doente e que o que sentia era pecado. Tentava recalcar, tentava não pensar no assunto, tentava não cair em tentação. Achava que era só uma fase, saía com rapazes e mentalizava-me que estava errada. Que eu é que estava errada. Não eram os meus pais, porque me condenavam, não eram os meus amigos, que me recriminavam, era eu. Era eu porque a minha sexualidade era diferente de todas as outras pessoas.

Hoje tenho 20 anos, acho que a sociedade é injusta e que cabe-nos a nós, homossexuais, ou não, lutarmos por aquilo que acreditamos. Hoje, dou a cara e assumo que sou homossexual, não me escondo por detrás de uma máscara e de falsos moralismos que só nos fazem sofrer e sentir infelizes. Não tenho medo do que sou, porque se aprende a viver com isso. Aprende-se a lutar contra a maré, aprende-se a viver com a diferença. Pelo menos, da cabeça dos outros.

Diferente e sempre diferente… desde que acreditemos no amor para além da nossa mente.

A chuva vai caindo. Devagar. Sinto-a a escorrer pela face. Não corro, não fujo. Abro os braços para o ar e sinto me vivo. Continuo a cantar e a receber aquela chuva, de braços abertos, como se uma dádiva de deus se tratasse. Sento me no chão, cruzo as pernas, contemplo esta cidade que me tira o sono, olho para as pessoas, sinto que elas não me vêem. Ainda bem. Tão depressa como começou, parou de chover. Só ficou o cheiro a terra molhada e o meu cabelo a escorrer pelos ombros. Levanto me, a custo. Respiro como se tivesse acabado de nascer. De renascer, diria. E acabei mesmo.