terça-feira, 17 de março de 2009

Frase do dia:
"Saiu para a cozinha. acendeu um fosforo, um fosforo humilde, ela que poderia desfazer o papel com o olhar, reduzi-lo a uma impalpavel poeira, ela que poderia pegar-lhe fogo só com o contacto dos dedos, e era um simples fosforo, o fosforo comun, o fosforo de todos os duas, que fazia arder a carta da morte, essa que só a morte podia destruir. Não ficaram cinzas. A morte voltou para a cama, abraçou-se ao homem e, sem compreender o que lhe estava a suceder, ela que nunca dormia, sentiu que o sono lhe fazia descair suavemente as pálperas. No dia seguinte ninguém morreu."

José Saramago
as intermitências da morte.

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