Não sabemos o que somos. Somos pedaços da vida. Pedaços da existência. Somos o nada e o pó. Somos o que os nossos pais nunca quiseram que fossemos. Somos o que nunca desejamos ser. Somos algo sem saber bem o quê. Chamam-nos humanos. Chamam-nos pessoas. Chamam-me Joana.
Nomes. Nomes sem sentidos. Palavras incompreendidas e gastas. Tentas compreende-las. Vais ao dicionário. Levantas as mãos á cabeça. Interrogas-te sobre o que te rodeia. Não queres saber. Ou queres. Não sabes, já. Acendes um cigarro. Á procura de uma inspiração. Pensas no que Saramago diz sobre o significado das palavras. Pensas que ele tem razão. Sorris, alguém pensa como tu.
Ouves música. Uma qualquer. Não prestas atençao, mas sabes que toca. Um código civil encontra-se perdido no chão. Tentas agarra-lo. Não consegues. Está longe e faltam-te as forças.
Ergues as mãos e pensas em deus. Em deus. Aquele que tu nunca acreditaste.
E parece que o vês a sorrir.
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