quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

A Sofia dizia. Apesar de todas as decepções o que as pessoas querem é o caril. Naquela altura, não acreditei nas suas palavras. Achei que muito mais do que o caril, o que as pessoas querem é um porto seguro. Um lugar para ficarem e se sentirem felizes.

Agora, concordo com a Sofia. Acho que, no final, o que nós queremos é algo que nos faça vibrar e aquecer. Não queremos promessas de amor eterno. Não queremos jantares a luz das velas. Não queremos ouvir o amo-te a cada 5 segundo. O que nos queremos é sexo nas escadas, frases promíscuas ao ouvido e um bom copo de vinha. O que nos queremos, não é algo que nos de segurança e (in)felicidade. O que nos queremos é algo que nos faça desejar mais e mais. Algo que nos faça vibrar. Algo que nos faça chegar ao extremo do ser. O que nos queremos são paixões vibrantes e fugazes. São momentos passados pelos nossos dedos. São cabelos arrancados que ficam no chão.

estou a mentir. Eu não quero nada disso e não acho que alguém queira. Acho que queremos sempre ser amados e amar. Gostamos de nos imaginar casados e com filhos. Gostamos de nos sentir seguros e amados. A verdade é que dura muito menos tempo e nos magoa mais.

Não será a relação perfeita a que consegue ter os dois lados da moeda? Eu estou disponível

ás vezes penso como serei quando tiver 50 anos. a crise dos 50. "a" crise.
interrogo-me se vou estar casada e com filhos. interrogo-me se estarei em Portugal ou no estrangeiro. interrogo-me, se serei feliz.
há momentos em que penso o que é a felicidade. como se alcança e, mais importante do que isso, como saber se é felicidade. ultimamente, passo metade dos meus dias a pensar sobre o assunto. sento-me no chão, contemplo o infinito e tento arranjar resposta para os meus dilemas. gosto de os debater com uma ou outra pessoa. pessoas essas que, regra geral, são mais dotadas de sabedoria do que eu. gosto de me masturbar intelectualmente. mas, mais do que isso, gosto que me masturbem intelectualmente. não sei porque uso esta expressão tão frequentemente. não a acho bonita, mas acho-a prática. não que isso seja relevante para aquilo que eu estou a tentar dizer.
a felicidade existe? seremos nós felizes ou infelizes? tenho 20. não acredito que a felicidade exista, apesar de ser fácil refutar isso dizendo, como me disse a Ana, que tem de existir felicidade, se não, não saberia que existiria infelicidade. ela tem razão, sim. acho que é muito mais fácil acreditarmos que somos felizes. que já tivemos 5 minutos de felicidade e, que a nossa vida vai sempre ter a felicidade como o fim a alcançar.
infelizmente, acho que o que tenho são 10 minutos menos infelizes do que todos os outros. são instantes fugazes, que me passam pelos dedos. são suspiros. são sorrisos. são paixões. são coxas nas nossas mãos. é sexo nas escadas. são momentos.
momentos que eu nunca hei-de esquecer, mas que não devo tornar a repetir.
mia couto dizia que a felicidade era um relâmpago fora da tempestade. a infelicidade, aquela que esta sempre á nossa volta, que é palpável e que é sentida pela grande maioria de nós, seria tempestade. a completa e total tempestade.
Tento explicar á minha prima que eu é que sou complicada. que não é vida. tento iludi-la que ela um dia vai ser feliz, muito feliz. e que a infelicidade, afinal, para ela, não passara de uma miragem.
quando somos crianças enchem-nos de sonhos e do "viveram felizes para sempre". quando acordamos e vivemos no mundo real, percebemos que fomos enganados e que não há finais felizes neste mundo injusto.
no máximo haverá e, eu acredito que sim, finais menos infelizes.

estava para ir a casa.
telefonei a minha mãe, entusiasmada, dizendo que ia apanhar o comboio das 5 da manha. o comboio, o autocarro, o táxi, uma boleia. o que houvesse. o que eu queria mesmo era ir para casa. queria ver os meus amigos, queria passear pelo chiado, queria ir cheirar o mofo, queria estar a lareira, queria abraçar a minha mãe e a minha família
passam-me rápido estes momentos. faz se uma ou outra chamada e percebe-se que, nem sempre, os sentimentos são recíprocos.
se há coisa que eu ainda não percebi é porque e que as pessoas tem filhos.
será que ter filhos é uma obrigação? será que pensam que é algo que os deixa mais completos e realizados como pessoas? não sei.
o que os pais ainda não perceberam que precisamos deles, mais, do que para nos pagarem as contas e ter os seus nomes inscritos no B.I. serão pais aqueles que nos “fazem” ? Ou serão aqueles que nos amam e nos tratam como tal?
um dia, se tiver um filho, vou tentar lembrar-me do sentimento que tenho hoje e esperar que ele nunca o sinta.
... apenas isto.

Inquietação
Inquietação
Inquietação

eu sou uma pessoa inquietada. a minha mãe esta sempre a dize-lo e os meus amigos também. dizem que eu penso demasiado. dizem que me preocupo demasiado e que vivo pouco. interrogo-me se vivo pouco por ser isso tudo, ou se vivo pouco, porque a vida não me da tesão para viver. pois bem. sou uma pessoa inquietada. não tenho qualquer tipo de problema em admiti-lo. acho que teria mais problema em admitir que não me inquieto com nada do que se passa a minha volta.
gosto de ficar noites sem dormir. gosto de ter um bloco sempre comigo. gosto de fumar droga a janela. gosto de pensar. gosto de ler o jornal e de ter vontade de o atirar contra a parede. gosto de berrar com as pessoas e dizer para elas se revoltarem.
sim, sou uma pessoa inquietada.
inquietam-me varias coisas. as vezes também me inquieta o facto de o meu cabelo não estar direito ou de ter uma borbulha no nariz. sim, isso também me inquieta. e, nessas situações, a minha estupidez, também, me deixa inquietada.
inquieta-me o nosso Primeiro Ministro querer construir o TGV, inquieta-me a politica em Portugal e a economia no mundo inteiro.
inquieta-me a grande maioria das pessoas não ser inquietada. inquieta-me tu não te levantares porque tens medo e és cobarde. inquieta-me a forma como o mundo esta a ser conduzido e como olhamos, impávidos, como meros espectadores, a isso.
sim, sou uma pessoa inquietada. não sei se era mais feliz de outra maneira. mas também acho que não sei viver de outra maneira.
todos os dias de manha quando olho para a parede do meu quarto e vejo estas três palavras, sorriu. gosto de acreditar que as compreendo e que lhes dou significado.
quanto a vocês, que não se inquietam e acham que a vida e bela, apenas posso dizer que estão enganados. estão tão enganados que quando se aperceberem disso não vai haver inquietação que vos salve.
no final disto de escrever isto, sei que vou ficar inquietada. é como se a inquietação fosse um estado de espírito. de facto, também há pessoas que são simpáticas. Eu não.

Decidi comprar acções na bolsa. Sempre me entusiasmou o facto de saber que há pessoas que fazem lá as suas grandes fortunas. Sempre li que em tempo de crise e que se deve comprar acções na bolsa. Pois bem, as minhas acções não param de descer. Interrogo-me de como se sentiram os grandes investidores e, interrogo-me, se não será mais rentável comprar uma prostituta e dedicar-me a ser chulo. Ou chula, neste caso. Os ganhos eram garantidos e, a probabilidade de a crise afectar este sector é muito reduzida. Pelo contrário. a conclusão que eu chego, como simples observadora, e que em tempo de crise este sector dispara em flecha, porque os homens estão demasiado cansados e frustrados para terem de aturar as mulheres ou, para lhes darem prazer
De facto, os homens são uns seres estranhos. Ao mesmo tempo que querem ser os garanhões da espécie humana, acobardam-se e usam prostitutas.
Enquanto não ganhar coragem para ir a uma, vou investindo na bolsa. Quando tiver falida, algo me diz, que a prostituta vou ser eu! A minha questão é: não seremos todos prostitutas durante a vida?!

domingo, 25 de janeiro de 2009

Esta semana ouvi com atençao o que o nosso primeiro ministro disse sobre os casamentos entre pessoas do mesmo sexo. como homossexual, não pude deixar de esboçar um sorriso. nao sei se sorri pela estupidez do Senhor ou pela estupidez da grande maioria dos homossexuais. bem, talvez nao devesse ter sorrido e devia ter chorado por estas duas situações. mas não, digamos que sorri.
numa coisa o Srº Primeiro Ministro tem razão, a discriminação entre pessoas do mesmo sexo não honra nenhuma sociedade moderna. o que Jose Socrates se esqueceu de dizer foi que não sabe se para o ano vai ter maioria absoluta no Parlamento (o que vai ser uma gaita) e, pior, esqueceu-se de dizer que está a prometer legislar e debater sobre um assunto que, há menos de dois meses disse que nao era uma questão fundamental para o pais.
talvez devesse ter vindo como pé de pagina, o facto de Socrates estar com o rabo apertado e estar a ver as legislativas a irem por um canudo.
Bem, mas com uma coisa ele pode contar, o povo tem memoria curta!
Mia Couto tinha razão (e eu tambem):

"A felicidade é um instante, um relâmpago fora da tempestade. Quem dá a chávena não dá a colher. E quando nos dão a luz, lá vem junto o túnel"

Beijo o teu pescoço. Perco me nesse corpo que um dia foi só meu. Dispo-me de pudores e amo-te como sei que nunca vou ser capaz de amar ninguém.

Amar, amar.

Sinto que estou a cometer um crime. Que não te posso tocar, que não te posso beijar, que não te posso ter.

Sinto que não sou quem quero ser. Tento mudar. Visto a mascara, um dia mais. Só mais um dia, repito baixinho como se me tentasse convencer.

Levanto me da cama, a custo. Dou te um beijo tremulo na cara e saiu a correr. Não decoro o número da porta, deito o telemóvel para o rio, olho para o sol que acabou de nascer, contemplo-o. Sinto uma lágrima a escorrer pela cara.

Amar, amar.

Precisa-se Zapatero português

Este ano, na noite da passagem de ano, num dos 12 desejos, pedi um Zapatero para Portugal. Já tinha escrito uma carta ao menino Jesus no Natal com o mesmo pedido, mas tendo em conta as ultimas afirmações do Papa Bento XVI sobre os Homossexuais é fácil perceber porque é que o meu desejo não foi concedido. Não, não quero a sua forma estranha de vestir, o que eu quero é a sua coragem. Coragem que o fez aprovar, a 4 de Julho de 2005, em Espanha, “contra ninguém, mas a favor de todos”, o casamento entre pessoas do mesmo sexo e que admite o direito á adopção.

O que falta em Portugal é um Primeiro-ministro que acha que os direitos e igualdade entre as pessoas são uma prioridade. Para José Sócrates o que é importante é a construção do TGV e do novo Aeroporto. Os direitos e igualdades entre as pessoas são meras insignificâncias para o nosso Primeiro-ministro.

Entristece-me ser gay em Portugal. Entristecem-me as Paradas Gays (que mais parecem desfiles do que manifestações de defesa de direitos e igualdades), as Associações de Defesa dos Homossexuais (quase) inexistentes, os políticos que dizem que o casamento tem como fim a procriação (sim, Dr.ª Manuela Ferreira Leite, estou-me a referir a si), os estereótipos e os preconceitos.

Entristece-me, ainda, haver pessoas que acham que a homossexualidade é uma doença, quando deixou de ser considerada como tal em 1973, pela Associação Americana de Psiquiatria, haver crianças que são humilhadas e discriminadas na escola por terem pais do mesmo sexo, haver pessoas a quem é recusado um emprego por serem homossexuais mas, o que me revolta mais, é as pessoas resignarem-se a isso. Num país onde o conformismo é a palavra de ordem e as injustiças passam ao lado da grande maioria dos Portugueses, um grupo que, já, representa 10% da população mundial luta, diariamente, ainda, em muitos países da Europa, pelos seus direitos na sociedade.

A Homossexualidade não é uma doença. A Homossexualidade não é um estado de espírito. A Homossexualidade não está na moda.

(In)Diferente

Pediram-me para escrever sobre mim. Nestas alturas, lembramo-nos sempre de começar pelo nosso nome e idade. Tentamos escrever sobre os nossos medos e sonhos. Tentamos fazer uma reconstrução do nosso passado e das coisas que mais nos marcaram. A mim, pediram-me para escrever sobre a minha sexualidade.

Sou a Joana, tenho 20 anos, estudo Direito e sou homossexual. Seria uma forma estranha de começar uma conversa num país como Portugal. No entanto, a vida ensinou-me que quem gosta de mim, gosta de mim como sou. Não acho que seja especial, não acho que o facto de gostar de pessoas do mesmo sexo que eu, faça de mim uma pessoa diferente. Será diferente a pessoa negra de cabelo loiro? Será diferente a rapariga baixa num país só de gente alta? Que mundo é este que permite tamanha injustiça?!

Quando tinha 15 anos e descobri que era gay, ou pus pela primeira vez essa hipótese, não pensava desta maneira. Gosto de pensar que evolui, há quem diga que se chama crescer. Se crescer implica duas tentativas de suicido e uma saída de casa aos 16 anos, eu assumo que crescer é uma merda e dói.

Dói sentirmo-nos olhados de lado. Dói sentirmo-nos diferentes. Sentimo-nos diferentes, só, por gostarmos de pessoas iguais a nós. Choramos porque achamos que a sociedade é injusta e não está preparada para nos receber. Tentamos gritar a plenos pulmões que não é a nossa sexualidade que nos define. (Eu farto-me de gritar, mas já me dói a garganta.)

É revoltante sermos tratados de maneira diferente pelos nossos pais, amigos, pela sociedade em geral. Achamos que somos os únicos a gostar de pessoas do mesmo sexo. Houve alturas que tinha nojo de mim, que achava que era doente e que o que sentia era pecado. Tentava recalcar, tentava não pensar no assunto, tentava não cair em tentação. Achava que era só uma fase, saía com rapazes e mentalizava-me que estava errada. Que eu é que estava errada. Não eram os meus pais, porque me condenavam, não eram os meus amigos, que me recriminavam, era eu. Era eu porque a minha sexualidade era diferente de todas as outras pessoas.

Hoje tenho 20 anos, acho que a sociedade é injusta e que cabe-nos a nós, homossexuais, ou não, lutarmos por aquilo que acreditamos. Hoje, dou a cara e assumo que sou homossexual, não me escondo por detrás de uma máscara e de falsos moralismos que só nos fazem sofrer e sentir infelizes. Não tenho medo do que sou, porque se aprende a viver com isso. Aprende-se a lutar contra a maré, aprende-se a viver com a diferença. Pelo menos, da cabeça dos outros.

Diferente e sempre diferente… desde que acreditemos no amor para além da nossa mente.

A chuva vai caindo. Devagar. Sinto-a a escorrer pela face. Não corro, não fujo. Abro os braços para o ar e sinto me vivo. Continuo a cantar e a receber aquela chuva, de braços abertos, como se uma dádiva de deus se tratasse. Sento me no chão, cruzo as pernas, contemplo esta cidade que me tira o sono, olho para as pessoas, sinto que elas não me vêem. Ainda bem. Tão depressa como começou, parou de chover. Só ficou o cheiro a terra molhada e o meu cabelo a escorrer pelos ombros. Levanto me, a custo. Respiro como se tivesse acabado de nascer. De renascer, diria. E acabei mesmo.