Sentei-me. No computador dava “into the wild”. Não pude deixar de sorrir para dentro e de desejar ficar sozinha naquele quarto, para poder apreciar aquela obra de arte. A banda sonora, o actor, a história. A história. Ė dos poucos filmes que me leva para uma outra dimensão e me faz desejar ter a coragem dele.
Ao longo do filme somos confrontados com os seus pensamentos e estados de espírito. Ė impossível não concordar com o que ele diz sobre a sociedade, sobre o dinheiro e sobre os seus pais que estavam “a viver as suas mentiras em algum lado”.
Temos vontade de pegar nas mochilas e de partir. Queimar todo o dinheiro e partir. Partir para ir sentir a natureza e a felicidade.
Conhecer sítios jamais visitados, conhecer pessoas que nunca pensávamos que pudessem existir, sentir. Sentir o estado mais puro do ser.
ás vezes, tenho vontade de ser como ele. De me indignar e de partir. Pergunto-me porque não o faço e a resposta é simples: falta de coragem. Por mais que eu tenha vontade, muitas vezes, de abandonar tudo, ainda acho que pertenço aqui. Cabe-me a mim mudar as coisas que eu posso não gostar na sociedade, nos meus pais, nas pessoas que me rodeiam e tentar fazer dela um lugar habitável.
Será mais cobarde o que fica porque não tem coragem para ir ou o que vai sem ter coragem para tentar mudar as coisas? Não sei. Talvez sejam dois tipos de coragem diferente e duas pessoas, completamente, diferentes.
Talvez eu concorde com ele quando diz “hapiness is only real when shared”. Talvez ele tenha razão. Talvez.
Um dia pego na mochila e em alguém e vou algures. Depois deixo lá a pessoa e tento ver se a felicidade é, igualmente, real.
Alex Supertramp representa um bocadinho do ser aventureiro e corajoso que há em nós. Resta-nos solta-lo e viver. Viver.
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