"Do amor não quero mais a aventura,
quero a companhia."
quero a compreensão, a tranquila ternura,
a presença melhor depois que amada,
a que saber ser luz clareando a estrada,
ser aragem na fonte ardente a inquieta;
A que é mulher - mar alto, porto e abrigo -
a que fica á nossa espera,
A que sabe persoar os nossos pecados
nossos marinheiros desejos desgarrados
e não nos mandam embora...
Do amor não quero mais a aventura
quero a companhia:
a que depois do beijo
me dará a mão,
a que sérá minha - à noite se entregará
sem pejo -
e impoluida e pura,
continuará comigo, com a mesma ternura
no coração...
Quero a doce, a permanente companhia...
A que depois da noite,
é o meu dia,
e, com o braço no meu braço
há de acertar o seu passo
na mesma direcção...
"A companhia", JG de Araujo Jorge
Obrigada, Madalena. Obrigada.
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