Estive em Portugal.
Ė bom chegar a estação e ter ente queridos a nossa espera. é bom beber um capuchinho sentada na fnac. é bom almoçar com aqueles que nos fazem mais falta. é bom estar em casa. quando estamos longe e regressamos é que sentimos como é agradável o cheiro a roupa lavada, como sabe bem um beijo dos que mais amamos. como tudo tem um sabor diferente.
sim, gostei de estar em casa.
posso não ter aproveitado o suficiente. posso ter discutido com os meus pais. posso ter batido com o carro e ter chorado durante uma noite inteira, mas não deixei de viver e de crescer. gaita são mesmo estas coisas que nos fazem desenvolver e querer mais.
e sim, é estranho regressar.
É estranho ver o comboio a avançar e as coisas a ficarem para trás. ficar para trás a nossa casa, os nossos pais, os nossos amigos, aqueles que gostávamos que fossem mais do que amigos. tudo. sentimos que a nossa vida ficou toda para trás e que nós, apenas com a nossa sombra continuamos esta viagem.
António variações dizia: "só estou bem onde não estou". algumas vezes achei que ele tinha razão, outras vezes achei que não. agora, enquanto escrevo isto e olho para a neve a cair lá fora, não posso deixar de discordar dele. eu estou bem aqui. estou muito bem, só tenho pena que tu não estejas cá. só tenho pena que não vejas esta cidade comigo e que não possas partilhar esta (quase) felicidade a meu lado.
acho que é disso que eu sinto mais falta. dos abraços, dos beijos e dos sorrisos cúmplices. sinto falta do chiado e das pessoas estranhas a passar. sinto falta do bairro alto. sinto falta das politicas medíocres. sinto falta de pagar 2 euros por um café no chapitô. sinto falta de ir ao cinema todas as semanas. de fazer omeletas com o bruno. de queimar pipocas e fazer arder o fogão. sinto falta de ver a lua sentada na varanda a fumar. sinto falta de tudo. dos cheiros. dos sabores. E por mais que goste de estar aqui e que me sinta a crescer, dia após dias, não consigo deixar de sentir falta do que era habitual para mim. do que era "sentir-me em casa"
a única coisa que me dá alguma paz de espírito é saber que vocês estão ai á minha espera. que não vão a lado nenhum, pelo menos sem mim. Ė a certeza de saber sempre onde vos encontrar. seja aqui em Salamanca numa rua perdida, seja ai, onde tantas vezes nos cruzamos.
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