ás vezes penso como serei quando tiver 50 anos. a crise dos 50. "a" crise.
interrogo-me se vou estar casada e com filhos. interrogo-me se estarei em Portugal ou no estrangeiro. interrogo-me, se serei feliz.
há momentos em que penso o que é a felicidade. como se alcança e, mais importante do que isso, como saber se é felicidade. ultimamente, passo metade dos meus dias a pensar sobre o assunto. sento-me no chão, contemplo o infinito e tento arranjar resposta para os meus dilemas. gosto de os debater com uma ou outra pessoa. pessoas essas que, regra geral, são mais dotadas de sabedoria do que eu. gosto de me masturbar intelectualmente. mas, mais do que isso, gosto que me masturbem intelectualmente. não sei porque uso esta expressão tão frequentemente. não a acho bonita, mas acho-a prática. não que isso seja relevante para aquilo que eu estou a tentar dizer.
a felicidade existe? seremos nós felizes ou infelizes? tenho 20. não acredito que a felicidade exista, apesar de ser fácil refutar isso dizendo, como me disse a Ana, que tem de existir felicidade, se não, não saberia que existiria infelicidade. ela tem razão, sim. acho que é muito mais fácil acreditarmos que somos felizes. que já tivemos 5 minutos de felicidade e, que a nossa vida vai sempre ter a felicidade como o fim a alcançar.
infelizmente, acho que o que tenho são 10 minutos menos infelizes do que todos os outros. são instantes fugazes, que me passam pelos dedos. são suspiros. são sorrisos. são paixões. são coxas nas nossas mãos. é sexo nas escadas. são momentos.
momentos que eu nunca hei-de esquecer, mas que não devo tornar a repetir.
mia couto dizia que a felicidade era um relâmpago fora da tempestade. a infelicidade, aquela que esta sempre á nossa volta, que é palpável e que é sentida pela grande maioria de nós, seria tempestade. a completa e total tempestade.
Tento explicar á minha prima que eu é que sou complicada. que não é vida. tento iludi-la que ela um dia vai ser feliz, muito feliz. e que a infelicidade, afinal, para ela, não passara de uma miragem.
quando somos crianças enchem-nos de sonhos e do "viveram felizes para sempre". quando acordamos e vivemos no mundo real, percebemos que fomos enganados e que não há finais felizes neste mundo injusto.
no máximo haverá e, eu acredito que sim, finais menos infelizes.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
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