Tic-tac.
O tempo vai passando. O tempo não pára. O relógio não pára. Só pára quando lhe deixo de dar corda. Só pára quando o atiro contra a parede.
E ele continua. Sem dó nem piedade. Avança e não me deixa esquecer que mais um dia está a terminar. Como se eu me fosse esquecer, como se a noite não fosse começar a assombrar a minha alma.
Tic-tac.
Tento pensar no que ainda devia fazer hoje. Tento não pensar que vou fracassar. Que não consegui fazer tudo o que tinha planeado, que não consegui ultrapassar as minhas, próprias, metas.
Meto as mãos na cara.
Batem á porta. Levanto-me. Levanto-me dos meus pensamentos e vou ver quem é. uma rapariga, uma qualquer, a querer que eu preencha um inquérito. Contrariada, preencho. Perguntas sem sentido. Respostas sem sentido.
Continua o tempo a passar. Devia jantar. Devia levantar-me e ir viver. Devia telefonar á minha mãe e dizer-lhe para não se preocupar. Que eu estou bem.
Devia descer deste mundo de ilusões e tentar agarrar-me a algo mais real.
Devia, devia. Mas não consigo.
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