segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Cansada.
Sinto-me a sufocar.
Apetece-me gritar, mas não tenho voz. Apetece-me chorar. Choro. Agarro-me ás saias da mãe que já não tenho, mas devia. Agarro a minha memória e o cheiro a ventre materno.
Olho para a janela que esta aberta e penso em saltar. Em saltar. Saltar e esperar para ver o que acontece. Ou não esperar, apenas. Apetece-me fugir. Devia fugir de mim. Dos meus pensamentos. Das minhas manias. Dos meus tiques. Das minhas depressões. Das minhas obsessões.
Devia perceber quem sou e encontrar-me no emaranhado de personagens que tenho. Tento escolher uma delas, ao acaso. Vestir-lhe a pele. As vezes, acho que encaixa. Depressa percebo que não. Volto a despi-la. Procuro outra pessoa. Outra personagem, outra pele. Dentro da minha caixa dos sapatos. Estão lá todas escondidas. Ao monte. Tento não as ver. Pensar que elas não existem.
Agarro-me á perspectiva de estar a viver aquilo que sou. Não é outra pessoa. Não é uma das minhas personagens.
Não sei quem sou. Não sei se sou eu, ou o meu vizinho. Não sei se sou eu num dia bom ou mau. Não sei.
Sei que a minha cabana. O meu castelo. O meu mundo, está a cair. Aos poucos e poucos. Uma pedra de cada vez.
Vejo isso acontecer do lado de fora da janela. Tento esticar a mão e agarrar uma pedra. Não consigo. Puxas-me para trás e dizes que não.
E eu não vou.
Acomodo-me ao único pilar que resistiu, percebo que és tu e seguras-me a mão.

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