quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

O Sol chegou a Salamanca. o frio continua. não se pode ter tudo. tento perceber se as pessoas repararam se faz Sol. não consigo compreender. as raparigas usam as mesmas saias sem meias, os rapazes os mesmos casacos. eu também estou igual, apenas com os meus oculus escuros na cara e um pouco mais feliz. é fantástico ver como o estado do tempo pode afectar o estado de espírito das pessoas. ontem, quando sai de casa as 11 da manha e reparei que estava Sol, não pude deixar de sorrir. sorri, mesmo. senti me mais feliz. com mais energia e com menos sono. tive vontade de faltar as aulas e ir passear. de facto, foi o que fiz. faltei á minha ultima aula e fui passear. a parte velha da cidade é sempre convidativa nestas alturas. pus os meus phones nos ouvidos e lá fui eu. cheguei a cidade e decidi ir me fazer sócia da biblioteca. uma biblioteca com 5 pisos, onde se pode alugar filmes e CDS de musica. fiquei lá uma hora, boquiaberta, a olhar para todas as coisas que quero requisitar e vim-me embora. continuei a pé e parei numa mercearia. fui comprar uma pêra e fui caminhando até casa. vivo em Salamanca, mas não me sinto em casa. sinto me uma verdadeira turista. fico a contemplar os mesmos monumentos que já vi 50 vezes com a mesma cara de espanto da primeira vez. gosto desta cidade. gosto da calma que ela, muitas vezes, me consegue transmitir.
ao fim do dia decidi ir ao café. acompanhada, fui até ao Jazz Café. tal como o nome indica, a musica que toca, geralmente, é jazz. nem sempre. ás vezes os grandes clássicos ocupam os 3 pisos do prédio, onde azulejos verdes e encarnados cobrem as paredes. sentei me numa cadeira que tem vista para a rua. a lua já estava no céu e, cheia, fazia-me recordar Lisboa. as noites de Lisboa, quentes, a passear pelo chiado a ver a lua. por momentos os meus pensamentos levaram me para outro lado, outro país, outras pessoas. o cheiro a droga faz-nos perceber o tipo de gente que frequenta aquele café. é barato. é grande. é acolhedor e tem droga. um jovem quererá alguma coisa melhor? não sei. peguei no meu bloco e escrevi-te, Ana, como tantas vezes te tenho escrito nestes momentos de calma e quase felicidade.
eram 11 da noite quando cheguei a casa. cansada. com frio. feliz.

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