segunda-feira, 30 de março de 2009

O que se pode querer mais?
quando se tem tudo o que se precisa?

=)
"Do amor não quero mais a aventura,
quero a companhia."

quero a compreensão, a tranquila ternura,
a presença melhor depois que amada,
a que saber ser luz clareando a estrada,
ser aragem na fonte ardente a inquieta;

A que é mulher - mar alto, porto e abrigo -
a que fica á nossa espera,
A que sabe persoar os nossos pecados
nossos marinheiros desejos desgarrados
e não nos mandam embora...

Do amor não quero mais a aventura
quero a companhia:
a que depois do beijo
me dará a mão,
a que sérá minha - à noite se entregará
sem pejo -
e impoluida e pura,
continuará comigo, com a mesma ternura
no coração...

Quero a doce, a permanente companhia...

A que depois da noite,
é o meu dia,
e, com o braço no meu braço
há de acertar o seu passo
na mesma direcção...

"A companhia", JG de Araujo Jorge

Obrigada, Madalena. Obrigada.

sábado, 28 de março de 2009

Às vezes penso no que pode fazer as mulheres felizes. Jóias. Homens (para quem gosta deles). Bom sexo. Um bom restaurante. Um bom copo de vinho. Uma casa na praia. Um vestido da Prada. Uma ida á ópera.
Penso naquilo que me pode fazer feliz. Sexo está no topo, é verdade. Mas fora isso, o que é que me faz vibrar?
Penso nas últimas vezes que fui feliz. É estranho pensar nisso. A felicidade, tantas vezes, parece longínqua. Um lugar obscuro. Um beco sem saída. Um precipício. Uma luz. Uma luz ao fundo do túnel. Andamos uma vida inteira a tentar perceber o que significa a felicidade. Abro um dicionário. Penso que ele me pode ajudar. “felicidade: ventura, bem-estar, contentamento”.
Então é isso. será tão simples quando isso?
O Sporting ganha, eu fico contente, estarei feliz?
Não será a felicidade algo mais complexo?
Não será mais do que uma mala de pele de crocodilo cara? Não será mais do que uns sapatos? Mais do que uma viagem a nova Iorque? Mais do que sexo fantástico ao amanhecer?
Seremos feliz uma vida inteira? Morreremos felizes? Viveremos felizes?
No outro dia disse a minha namorada algo como “fazes me feliz”. Depois corrigi, a medo, e disse “fazes me menos infeliz”. Serei estúpida? Ou terei, apenas, medo de ser feliz? Poderemos ter medo de atingir o estado mais perfeito do ser?
Fugimos a sete pés de um futuro que nos parece promissor. Fugimos. Fugimos com medo que nos dêem a mão e a seguir nos larguem num precipício. Fugimos com medo de estarmos enganados e de, afinal, a felicidade não existir. De não ser mais do que uma palavra no dicionário. Mas se nos perguntarem o que é que nós mais queremos na vida, a primeira coisa que nos passa pela cabeça é “ser feliz”. Mesmo que nunca venhamos a saber o que isso é. Mesmo que nunca lhe consigamos sentir o cheiro.

E tu, és feliz?

terça-feira, 24 de março de 2009

Para recordares.


2009. Ano de campanhas eleitorais. Ano de deboche para a associação académica (como todos os anos). Ano de sonhos e ilusões. Ano da liberdade afectivo-sexual na educação – “Por uma escola sem armários”
Para muitos nada significará. Para 1% da população mundial significa a luta pelos seus direitos e igualdades. Num país, que se diz moderno, numa faculdade que se diz a melhor do país, não deveria ser possível ouvir palavras como nojo, indecência, doença, pecado, quando se fala de homossexuais. Serão as pessoas ignorantes ou, simplesmente, estúpidas?
Quanto aos estúpidos, pouco haverá a fazer. Sentem-se. Bebam mais uma cerveja e esperem. Esperem e rezem, porque deus não se esqueceu de vocês e um dia, ainda vos vem iluminar.
Quanto aos ignorantes, elucido-os dizendo que a homossexualidade existe desde os primórdios da Humanidade, que não é uma escolha e que, desde 1973, deixou de ser considerada pela Associação Americana de Psiquiatria, uma doença mental.
Ironicamente e, apesar de todos os anos, inúmeras associações de defesa dos homossexuais lutarem para que os seus direitos sejam respeitados, que milhares de pessoas marchem pelo mundo inteiro a gritar por igualdade, que sejam feitas campanhas, debates e colóquios, actualmente, em países como a África do Sul, são violados e assassinados, 10 homossexuais por semana.
Terão, vocês, ilustres pensadores de mesa de bar, algo a temer? Ou a estupidez e homofobia são mesmo crónicas?

terça-feira, 17 de março de 2009

Não sabemos o que somos. Somos pedaços da vida. Pedaços da existência. Somos o nada e o pó. Somos o que os nossos pais nunca quiseram que fossemos. Somos o que nunca desejamos ser. Somos algo sem saber bem o quê. Chamam-nos humanos. Chamam-nos pessoas. Chamam-me Joana.
Nomes. Nomes sem sentidos. Palavras incompreendidas e gastas. Tentas compreende-las. Vais ao dicionário. Levantas as mãos á cabeça. Interrogas-te sobre o que te rodeia. Não queres saber. Ou queres. Não sabes, já. Acendes um cigarro. Á procura de uma inspiração. Pensas no que Saramago diz sobre o significado das palavras. Pensas que ele tem razão. Sorris, alguém pensa como tu.
Ouves música. Uma qualquer. Não prestas atençao, mas sabes que toca. Um código civil encontra-se perdido no chão. Tentas agarra-lo. Não consegues. Está longe e faltam-te as forças.
Ergues as mãos e pensas em deus. Em deus. Aquele que tu nunca acreditaste.
E parece que o vês a sorrir.
Frase do dia:
"Saiu para a cozinha. acendeu um fosforo, um fosforo humilde, ela que poderia desfazer o papel com o olhar, reduzi-lo a uma impalpavel poeira, ela que poderia pegar-lhe fogo só com o contacto dos dedos, e era um simples fosforo, o fosforo comun, o fosforo de todos os duas, que fazia arder a carta da morte, essa que só a morte podia destruir. Não ficaram cinzas. A morte voltou para a cama, abraçou-se ao homem e, sem compreender o que lhe estava a suceder, ela que nunca dormia, sentiu que o sono lhe fazia descair suavemente as pálperas. No dia seguinte ninguém morreu."

José Saramago
as intermitências da morte.
Suspiro. As suas mãos percorrem-me lentamente o corpo. Deito a cabeça para trás. Abro a boca, quero sentir os seus lábios carnudos quero sentir a sua língua quente dentro de mim. Percorro com calma todas as arestas do seu corpo. Toco-lhe no cabelo. Com as pontas dos dedos acaricio-lhe o peito. Baixo-me. Sabe a mel. Continuo. Paro. Olho para o lado. Contemplo a cidade. Lembro-me que esta não é a mulher que amo. Que não é a mulher com quem quero passar o resto da minha vida.
Procuro uma cidade no mapa. Paris. Ali está ela.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Something
Frank Sinatra

Something in the way she moves
Attracts me like no other lover
Something in the way that she woos me
Don't want to leave her now
Better believe, and how

Somewhere in her smile she knows
I don't need no other lover
Something in her style that shows me
Don't want to leave her now
Better believe, and how

You're asking me will my love grow
Well, I don't know, no, I don't know
You stick around, Jack, it might show
I don't know, no, I don't know

Something in the way she knows
All I gotta do is just think of her
Something in the things that she shows me
Don't want to leave her now
Better believe, and how