Precisa-se Zapatero português
Este ano, na noite da passagem de ano, num dos 12 desejos, pedi um Zapatero para Portugal. Já tinha escrito uma carta ao menino Jesus no Natal com o mesmo pedido, mas tendo em conta as ultimas afirmações do Papa Bento XVI sobre os Homossexuais é fácil perceber porque é que o meu desejo não foi concedido. Não, não quero a sua forma estranha de vestir, o que eu quero é a sua coragem. Coragem que o fez aprovar, a 4 de Julho de 2005, em Espanha, “contra ninguém, mas a favor de todos”, o casamento entre pessoas do mesmo sexo e que admite o direito á adopção.
O que falta em Portugal é um Primeiro-ministro que acha que os direitos e igualdade entre as pessoas são uma prioridade. Para José Sócrates o que é importante é a construção do TGV e do novo Aeroporto. Os direitos e igualdades entre as pessoas são meras insignificâncias para o nosso Primeiro-ministro.
Entristece-me ser gay em Portugal. Entristecem-me as Paradas Gays (que mais parecem desfiles do que manifestações de defesa de direitos e igualdades), as Associações de Defesa dos Homossexuais (quase) inexistentes, os políticos que dizem que o casamento tem como fim a procriação (sim, Dr.ª Manuela Ferreira Leite, estou-me a referir a si), os estereótipos e os preconceitos.
Entristece-me, ainda, haver pessoas que acham que a homossexualidade é uma doença, quando deixou de ser considerada como tal em 1973, pela Associação Americana de Psiquiatria, haver crianças que são humilhadas e discriminadas na escola por terem pais do mesmo sexo, haver pessoas a quem é recusado um emprego por serem homossexuais mas, o que me revolta mais, é as pessoas resignarem-se a isso. Num país onde o conformismo é a palavra de ordem e as injustiças passam ao lado da grande maioria dos Portugueses, um grupo que, já, representa 10% da população mundial luta, diariamente, ainda, em muitos países da Europa, pelos seus direitos na sociedade.
A Homossexualidade não é uma doença. A Homossexualidade não é um estado de espírito. A Homossexualidade não está na moda.
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