quarta-feira, 20 de agosto de 2008

os toques, as mensagens, os sorrisos, os beijos.
as noites de luar, as mãos dadas, sexo numa espreguiçadeira.
nada valeu a pena.
anos e anos investidos num possível casamento, num possível "viveram felizes para sempre". no final, a única sensação que consegues ter é de perda, é de vazio.
apagam-se as boas recordações, apagam-se os bons momentos, quase como se eles nunca tivessem existido. a memoria e selectiva e, no final, numa esperança (estúpida) de termos menos saudades a única coisa que prevalece, a única coisa que parece prevalecer são as más memorias.
são as brigas, as discussões, os dias de silencio e as noites mal dormidas.
esquecemos nos dos jantares á luz das velas, das noites ao luar, dos pés quentes no inverno. esquecemos nos de tudo o que pode dar algum alento á alma, alguma esperança de que não foi em vão.
mas a verdade é essa. é que são anos e anos perdidos, anos investidos em alguma coisa que, mais uma vez, não levou a nada. mais uma vez ficamos decepcionados, tristes, frustrados.
interrogamos-nos se a culpa é nossa, se nós não somos interessantes, se nós não somos bons o suficiente para estar ao lado daquela pessoa que, aos nossos olhos, é maravilhosa.
choramos nos ombros dos amigos, choramos no colo da nossa mãe, choramos agarrados ás fotografias e a um passado, já, tão longínquo.
no final de todo este sofrimento, temos de ser capazes de por um sorriso na cara, de nos levantar para ir para o trabalho no outro dia de manha. de colocar uma máscara. dia, após dias, sem sabermos se algum dia terá fim.

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